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Transformação digital não depende de tecnologias disruptivas

11 de abril de 2017

Por Alexandre Morais

É indiscutível que cada vez mais caminhamos para a transformação digital em todos os âmbitos de nossas vidas, especialmente nas relações corporativas. Empresas que ainda resistem em discutir a digitalização de suas atividades perdem a chance de diminuir custos, otimizar recursos materiais e humanos, reduzir tempo de trabalho e até mesmo de obter insights de novos modelos de negócios, sendo esta a principal característica da transformação digital.

Porém, é importante ressaltar que para um processo desse tipo acontecer este não se depende, necessariamente, da adoção de tecnologias disruptivas para ser bem sucedido. É possível promover mudanças organizacionais relevantes com ferramentas já existentes no mercado, desde que adaptadas a modelos de negócios diferenciados, que tenham como foco a experiência do cliente.

Um exemplo claro disso foi o que ocorreu nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com a implementação de um sistema em Cloud no gerenciamento das operações de TI. A tecnologia de computação em nuvem não era nova, mas a orquestração de todas as aplicações de TI, ofertadas por diferentes fornecedores, com um sistema integrado coordenado pela Atos, foi uma verdadeira transformação digital dos Jogos.

A partir de um único centro de operações, essa transformação permitiu desde a entrega de resultados esportivos em tempo real até a neutralização de milhões de incidentes de segurança.

Alinhamento estratégico

Outro fator fundamental para as organizações que pretendem acelerar seus processos de transformação digital é o alinhamento estratégico de objetivos, que precisa envolver os níveis executivos da companhia. Essa coordenação é indispensável quando a transformação exige mudanças de gestão e de cultura organizacional, que podem necessitam garantir o engajamento em todos os níveis.

Em outras palavras: convencer executivos e gestores sobre a necessidade de romper paradigmas e apostar em soluções inovadoras é sempre um dos primeiros passos de um processo de transformação digital bem sucedido.

Além disso, contar com o apoio de um consultor de qualidade, capaz de orientar os esforços de transformação é um fator crítico para o sucesso. Esse parceiro pode guiar a empresa na hora de definir que tipo de tecnologia é mais adequada para sua realidade naquele momento ou projeto específico.

A computação em nuvem, por exemplo, pode reduzir custos de TI e agilizar processos. No entanto, para utilizá-la, é necessário realizar, de forma estruturada, a migração das plataformas atualmente utilizadas, um processo que exige know-how e experiência comprovada.

Outra tecnologia de ponta, a análise de Big Data, é cada vez mais importante na relação entre as empresas e seus clientes, permitindo maior fidelização e oferta de produtos segmentados de acordo com seus hábitos de consumo. Mas também demanda a digitalização de processos e a adoção de sistemas de gestão avançados.

O universo digital passa por constantes transformações. Hoje, temos modelos de negócios inovadores que crescem rapidamente tomando o espaço daqueles dominavam o mercado há poucos anos. No futuro, certamente teremos novidades ainda maiores, com a consolidação da internet das coisas (IoT) e da computação cognitiva, por exemplo.

Por isso, não ter medo de mudanças e estar sempre atualizado sobre as tecnologias de vanguarda é essencial. Mas também é preciso ter em mente que muitas ferramentas capazes de modernizar o negócio já estão à disposição. É possível agir agora.

* Alexandre Morais é graduado em Processamento de Dados pela Universidade São Judas Tadeu, e com MBA em Business Management na HEC Paris e Fundação Getúlio Vargas. Atua há mais de 20 anos no setor de Tecnologia da Informação, sendo os últimos seis na empresa Atos América do Sul. Atuou como head de integração de sistemas na Siemens, companhia na qual esteve por 14 anos. Nesta função, foi responsável pelas operações e entregas de integração de sistemas. Atualmente, é head de Transformação Digital e Consulting da Atos América do Sul e SAP da Atos Brasil, sendo responsável pelo gerenciamento de consultoria de TI, incluindo desenvolvimento de negócios, propostas, análise de bid, entregas e profit and loss.

ALE