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Sem informação, beneficiários do DPVAT acabam no prejuízo

09 de setembro de 2015

Edilson Rodrigues | Foto: TNH1

Edilson Rodrigues | Foto: TNH1

Entre os direitos garantidos pelo seguro DPVAT (Danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre) está o que assegura o pagamento do benefício a pessoas que se envolveram em acidentes de trânsito e que apresentem danos permanentes. Mas a falta de informação tem levado muita gente a ser vítima da ação de atravessadores, intermediários dispensáveis, que tentam, e muitas vezes conseguem, polpudas comissões que não necessitariam ser pagas.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro de Alagoas (Sincor/AL), Edmilson Ribeiro, classifica a ação desses atravessadores do DPVAT como uma espécie de golpe. Ele alerta que a vítima do acidente não precisa de intermediários para solicitar o seguro. “Antes de tudo deve­se procuradr Sindicato, por telefone mesmo, onde serão orientadas sobre a documentação necessária, para só então procurar o Sincor/AL, ou uma agência dos correios para dar entrada no processo, sem pagar absolutamente nada”, alerta.

A falta dessa orientação junto ao Sincor foi o que levou o ambulante Edilson Rodrigues da Silva a uma via crucis que não teve um final feliz. Depois de três pessoas intermediando uma solicitação que ele poderia fazer sozinho, sem custos, o seguro não foi aprovado. Ele vendia água de coco próximo à rotatória do entroncamento entre as BRs 104 e 316, quando foi atingido por um veículo.

1º ATRAVESSADOR: NETO DA FUNERÁRIA

No acidente, ocorrido em 19 de abril, a perna direita de Edilson foi fraturada e submetida à cirurgia onde uma placa e quatro pinos de titânio foram instalados. Ao receber alta no hospital, Edilson foi abordado por um homem, que se identificou como “Neto da Funerária”, que lhe ofereceu para “facilitar” o acesso ao seguro, mas para isso ele teria que pagar uma “comissão” que ficaria em 30% do valor a ser liberado, em torno de R$ 5 mil, nos cálculos do atravessador.

“Ele dizia que conhecia pessoas que levaram apenas um ‘relão’ e que teriam recebido cerca de R$ 2 mil, então eu receberia de R$ 5 mil a R$ 7 mil, de certeza. Principalmente quando eu entreguei os exames que fiz e os laudos da cirurgia”, contou Edilson.

Por telefone, o homem se recusou a dizer para qual empresa trabalhava. Na entrevista, ao TNH1, “Neto” disse ainda que nenhum serviço foi cobrado ao segurado por conta do sinistro ter sido negado. “Nenhum serviço foi cobrado dele por conta da negativa. Haveria um valor a ser pago, mas esse valor só será cobrado quando o processo for contemplado. O médico disse que, por enquanto, o processo dele foi negado já que ele se encontra em tratamento”, disse.

“Neto” ainda disse que só a empresa para a qual trabalha poderia falar sobre o percentual cobrado pelo serviço. Ele negou ainda ter abordado o senhor Edilson. “Ele quem me procurou, já que eu tinha atendido um amigo dele anteriormente. Eu não abordo ninguém”, garantiu.

2º ATRAVESSADOR: O POLICIAL ­

O comerciante disse ainda que cerca de um mês após o processo ter sido aberto, o agente funerário o comunicou que estaria desistindo de avançar com o sinistro, como são chamados os processos de agências de seguros, e que a partir daquele momento ele iria ser acompanhado por um policial civil, agente este que trabalharia na Delegacia de Acidentes de Trânsito. “Após ele me comunicar um policial começou a me ligar e disse que se eu quisesse receber o seguro eu tinha que fazer [dar entrada no processo] com ele, depois ele me avisou que o meu seguro foi negado e deixou de atender minhas ligações”, lamentou Edilson.

A reportagem do TNH1 consegiu o número do celular do suposto policial que teria feito contato com o senhor Edilson, mas as ligações não foram atendidas.

3ª ­ ATRAVESSADOR: A ADVOGADA

A via­crúcis de Edilson não parou por aí. Na semana em que entrou em contato com o TNH1, ele recebeu a visita de uma advogada. O TNH1 decidiu não divulgar o nome da advogada nem da empresa para a qual ela trabalharia, considerando que o senhor Edilson não apresentou queixas formais contra a profissional e a empresa. A advogada, em entrevista ao TNH1, disse trabalhar para uma empresa de seguros, e se ofereceu para prestar assistência para Edmilson. Ela alegou que iria recorrer da decisão da Seguradora para que fosse feita nova perícia com o senhor Edilson. A advogada conversou com a reportagem, mas após a entrevista não voltou mais a contactar o segurado.

No começo dessa semana, Edilson voltou a ligar para o TNH1, dizendo que outra pessoa, dessa vez um suposto corretor de seguros, voltou a fazer contato com ele cobrando para reverter à negativa da cessão do benefício. “Uma pessoa me ligou dizendo que poderia reabrir o meu processo e me dar o dinheiro”, disse. Mas desta vez Edilson não deu atenção. Até o momento Edilson não conseguiu a aprovação do seguro.

Presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de Alagoas, Edmilson Ribeiro

Presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de Alagoas, Edmilson Ribeiro

GOLPE’
Para o presidente do Sincor/AL, o papel de atravessador é praticamente um tipo de golpe. “Não posso dizer que é golpe já que os acusados não aparecem de forma clara, mas se o cidadão tiver um advogado de confiança e quiser entrar no processo com a orientação dele, ótimo, mas uma reguladora de seguros fazer isso e cobrar 30% do valor do benefício é um golpe, e caro. Basta comparar com a cobrança de honorários de um advogado, que gira em torno de 20%”, alertou

SINCOR/AL ENSINA O “CAMINHO DAS PEDRAS”

O presidente do Sincor/AL alerta que o primeiro passo para ter solicitar o DPVAT é buscar informação. O site da entidade, no endereço www.sincor­al.com.br , traz diversas informações, de forma simples, sobre o DPVAT. Para quem não tem acesso à internet, o Sindicato fica na Rua Goiás, 12 – Farol­ Maceió/AL. As informações que poderiam ter evitado os transtornos para seu Edilson podem ser solictadas também pelos telefones 3326.1029/1724

“Antes de mais nada as pessoas devem procurar o Sindicato, por telefone mesmo, onde serão orientadas por qual documentação levar, para só então procurar ou o Sincor/AL, ou uma agência dos correios para dar entrada no processo, sem pagar absolutamente nada”, explica Edmilson Ribeiro. Ribeiro explica ainda que corretoras credenciadas devem encaminhar a vítima para ser atendida na sede da entidade, onde será orientada sobre o que é necessário para dar entrada no processo de forma gratuita.

VEJA ALGUMAS INFORMAÇÕES DO SITE DO SINCOR DE ALAGOAS SOBRE O DPVAT

DPVAT

Fonte: Erik Maia | TNH1