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Seguro de crédito: mais que custo, uma ferramenta de gestão

12 de julho de 2017

Por Sylvain Taulère

O momento de crise econômica que vivemos atualmente é propício para o desenvolvimento e crescimento do mercado de seguro de crédito no país. Altamente utilizado por empresas europeias e americanas, essa modalidade ainda é pouco conhecida pelas companhias brasileiras. Segundo dados da Fenseg, menos de mil empresas nacionais fazem uso desse seguro no país que pode ser utilizado por todas as instituições que comercializam bens e serviços a prazo, de portes diversos.

Um dos principais fatores para a baixa penetração desse seguro no país é o fato de as companhias o considerarem como um custo financeiro adicional e não uma ferramenta de gestão do setor de contas a receber com benefícios que vão desde o monitoramento da carteira, passando pela expansão das vendas e chegando, é claro, à cobrança dos clientes inadimplentes e nas indenizações. O seguro de crédito visa proteger uma parte importante dos ativos da empresa, pois ela protege o negócio em caso de inadimplência dos compradores decorrente de mora, falência ou outro risco coberto indenizando à empresa pelas perdas sofridas.

De uma forma geral, tanto as corretoras quanto as seguradoras que atuam com o produto podem ajudar o empresário a escolher os clientes, mercados e limites de crédito corretos de maneira a evitar e minimizar o não pagamento da dívida comercial.  Dando subsídios para que ele se sinta mais confiante para conceder crédito adicional aos clientes atuais e para buscar novos clientes maiores que, de outra forma, poderiam parecer muito arriscados.

Os seguros de crédito doméstico e de exportação são bastante similares, o que difere é que no caso do seguro à exportação além dos ricos já mencionados acima, também estão inclusos riscos políticos ou atos de guerra que impeçam o cumprimento do contrato. O segmento de crédito à exportação representou entre 10% e 15% dos prêmios do segmento em 2016 segundo a Susep.

Já o de crédito doméstico cresceu 22% em 2016, com avanço de 17% nos prêmios totais emitidos (Susep). Esse resultado teve como principal impulsionador o crescente endividamento das empresas e a diminuição das linhas de crédito por parte dos bancos, além do enorme número de pedidos de recuperação judicial – com alta de 55% em 2015, em comparação a 2014, e de 44,8% no ano passado, segundo dados da Serasa Experian. Por outro lado, no entanto, cresceu também a sinistralidade, que em 2016 atingiu 110% sobre os prêmios.

Essa alta da sinistralidade fez com que as seguradoras ficassem mais criteriosas, ou seja, o índice de aprovação da carteira dos segurados vem apresentando uma redução, e mesmo que a demanda pelo seguro tenha aumentado, o crescimento do seguro de crédito ainda é baixo.

Como resultado dessa política mais criteriosa, bem como uma leve melhora na economia, ocorreu nesse primeiro semestre uma diminuição da sinistralidade, mas a preocupação ainda é redobrada devido aos acontecimentos constantes do cenário politico econômico. A perspectiva da Willis Towers Watson é que a sinistralidade se estabilize até o final do ano, quando algumas medidas do governo se tornarem efetivas e que o mercado de seguro de crédito tanto doméstico como para exportação continue a crescer. As empresas passaram a conhecer todas as vantagens desse seguro, que deixou de ser um custo adicional e passou a fazer parte da estratégia de crescimento das companhias.

*Sylvain Taulère é Trade Credit Manager de Financial Lines na Willis Towers Watson Brasil

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