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Onde está a inflação brasileira?

07 de março de 2019

A semana mais curta devido ao Carnaval, não impede a apresentação de indicadores econômicos relevantes. Amanhã, será divulgado o PIB da União Europeia no quatro trimestre, com reunião no Banco Central. No dia 8, há a divulgação do Relatório de Emprego norte-americano.

No Brasil, a foco é a inflação, com a divulgação do Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) e o IGP-DI na sexta. Se olharmos atentamente para a evolução do nível de preços sob uma ótica ampliada, da cadeia produtiva até o preço que chega ao consumidor final, fica perceptível que a inflação não foi expurgada da economia, está, apenas, represada entre as etapas do processo produtivo e o varejista.

O IGP-DI é composto majoritariamente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação no setor produtivo e possibilita uma análise sóbria sobre o processo inflacionário na economia doméstica. A inflação anual média ao produtor industrial, de 2010 a 2018, foi de 5,4%. Este número sobe para 8,5%, se considerarmos a média das últimas 12 observações. No mesmo período, a inflação que chegou até o consumidor final foi de apenas 1,4%. A expectativa do mercado é de que a disparidade entre os índices será acentuada com os dados divulgados na sexta-feira.

É claro que a inflação atípica sentida pelo consumidor não se deve à benevolência do produtor ou do varejista. É, na verdade, produto do desaquecimento econômico. Não existe, no contexto econômico atual, margem para repasse de preços. O desemprego, que custa a ceder, e os salários estagnados mantêm a demanda baixa e amassam as margens do produtor e do varejista. Estes, por enquanto, têm dado conta do ônus inflacionário.

Conforme a economia doméstica recobrar seu dinamismo, os preços devem chegar ao consumidor final. Esperamos que isto não demore a acontecer, porque inflação representa custo, e, no limite, custos crescentes e inviáveis de serem repassados expulsam players do mercado, catalisando uma lógica perversa. Neste contexto, inflação ao consumidor – se acompanhada de dinamismo econômico – é sim uma boa notícia.

Empresas e Setores: Ciclo das empresas de corretagem imobiliária

Durante o chamado boom da construção civil, ocorrido entre 2007 e 2012, não só as empresas do segmento conheceram uma forte alta em suas respectivas demandas, mas também as empresas correlatas do setor, como as de corretagem de imóveis.

As corretoras se especializaram em lançamentos e eram imprescindíveis parceiras das grandes construtoras nesses momentos. As altas comissões possibilitavam pagar bem a mão de obra, o que atraiu um grande contingente de corretores.

Para o corretor, em especial aquele que começou a trabalhar durante a fase de expansão, era fácil atuar nos lançamentos. A construtora usualmente dedica recursos para divulgar a novidade, anúncios nos jornais, bandeiras nas ruas, panfletagem nos semáforos, estandes de visitação. Com renda em alta e estabilidade no emprego, a oferta encontrava sua demanda.

No período de retração econômica, que já começava a dar seus primeiros sinais em 2015, os corretores sofreram com a falta de lançamentos. Vender estoques é uma tarefa bem mais difícil do que imóveis novos. A exposição é menor, o corretor tem que se deslocar até a unidade, tem que pedir autorização para visitação, o condomínio já não é novo. Pequenas rachaduras e poeira acumulada parecem normais. Além disso, o comprador também tem muito mais dificuldade em adquirir o bem, pois precisa pagar pelo menos 20% do valor à vista ao banco. Em uma economia em recessão, a renda se exaure, fica difícil pagar a entrada.

Como os corretores não tinham tanto interesse nas vendas de unidades, as construtoras superestocadas montaram as suas próprias empresas de corretagem, as chamadas “houses”. O segmento de corretagem piorou, e a mão de obra foi dispensada.

Notamos que os lançamentos de imóveis, por parte das construtoras, começam a retomar timidamente. As corretoras sabem que são importantes para dinamizar a venda em lançamentos, apesar de as construtoras terem sua força de venda interna. Antigas alianças que ficaram esquecidas estão sendo retomadas. O setor de corretagem imobiliária tende a se beneficiar do bom momento esperado pelas construtoras em 2019.

Gestão: Um PIB só não faz verão

Quando, por alguma razão, as coisas parecerem fáceis demais, desconfie. O investidor brasileiro, a esta altura de 2019, já se deu conta que: 1) ao contrário do alegado ‘descolamento’ do mercado doméstico e internacional visto no rally de janeiro, estes são correlacionados; 2) na ausência de drivers inequívocos para alta das ações, como PIB e resultados para cima e juros para baixo, o que é ruim pode ficar ainda pior, e o queridinho de ontem se tornar o patinho feio de hoje. O fraco PIB brasileiro do quarto trimestre trouxe o desempenho consolidado do ano para um avanço de apenas 1,1% contra 2017, naquela que já é considerada a mais frustrante recuperação econômica de nossa história.

Além disso, à parte honrosas exceções isoladas, a temporada de resultados corporativos, com fracos crescimentos de lucros na margem, deixou valuations com limitado upside e a sensação de que falta impulso para o mercado voltar a deslanchar. Como contraponto, o viés no cenário externo se parece mais favorável, com os EUA e a China aparentemente mais próximos de um acordo comercial positivo. O anúncio pela China de uma nova rodada de estímulos fiscais para a dinamização dos negócios de pequenas e médias empresas privadas e a concessão, pela União Européia à Grã-Bretanha, de maior prazo para negociação ou mesmo reversão de um acordo para o Brexit, bem como um alívio nas tensões geopolíticas. Os índices acionários nos EUA, China e Grã-Bretanha responderam de acordo e recuperaram terreno, operando próximos das máximas em três m eses.

Já no Brasil, o Ibovespa teve recuo semanal na casa de 3%, enquanto o dólar avançou próximo de 1%, pressionando consigo todos os vértices da curva de juros, com bem distribuídas elevações de até 15 pontos base ao longo da curva. Neste semana mais curta, destaque para a repercussão das novas medidas de estímulo anunciadas no Congresso Nacional do Povo na China e para falas de membros do Federal Reserve ao longo da semana, bem como a divulgação do livro Bege e dados da produção automotiva no Brasil.

 

Fonte: Mapfre Investimentos