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O mercado de D&O está preparado para crise econômica?

02 de setembro de 2015

Gustavo Galrão, superintendente de Professional Lines e Liability do Argo Group

Gustavo Galrão, superintendente de Professional Lines e Liability do Argo Group

A crise financeira chegou e se instalou em diversos campos. Hoje, o que mais ouvimos é crise econômica… crise política… crise institucional… Até no futebol a situação está crítica. Realmente a situação do empreendedor brasileiro não está fácil. Essa não é a melhor hora de se arriscar, principalmente em um cenário que se tem mais a perder do que ganhar. Mas, será que o mercado de seguro de Responsabilidade Civil e Admintradores (D&O) no Brasil está preparado para esse novo cenário?

Existem alguns fatos que contribuem com a aceleração deste ciclo, o deixando ainda mais complicado. Dentre eles, estão principalmente a continuidade do processo inflacionário, uma política de aperto monetário ainda maior, com tendência de aumentar a taxa de juros básica do país ao longo do ano, evidenciando o ciclo vicioso em que se encontra a economia brasileira. Fatores políticos e institucionais, como a perda da governabilidade pela presidente da república, desbalanceamento da política fiscal e a crise de confiança que paira na sociedade brasileira e internacional, também não deixam de ser grandes influenciadores.

No campo corporativo os impactos sentidos pelos empreendedores brasileiros são exorbitantes. Se percebe um aumento significativo nos riscos inerentes a atividade empresarial, onde muitos deles são forçados a abandonar projetos, reduzir despesas, atrasar pagamentos, demitir funcionários e, nos casos mais graves, fechar as portas ou entrar com pedido de recuperação judicial.

Diante disso, o segmento de D&O está sendo fortemente impactado. Coincidência ou não, a sinistralidade da carteira do mercado em 2014 chegou a 53% (recorde histórico), sendo que algumas seguradoras apresentaram sinistralidade superiores a 100%. Em 2015, a sinistralidade vem se mantendo em alta, o que nos leva a um sentimento hard Market.

Além do impacto decorrente deste novo cenário de risco do país, o aumento do número de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público vem contribuindo não apenas com o aumento dos casos de sinistro de D&O, mas também para o amadurecimento dos agentes deste mercado. É notável, por exemplo, o aprimoramento da análise de risco dentro do processo de subscrição das seguradoras e o consequente endurecimento na seleção dos riscos. Os corretores, por outro lado, são cada vez mais exigidos pelos segurados para explicar o motivo do aumento nos prêmios e modificação nas condições contratuais das apólices de seguro.

Em casos mais complexos, onde a aceitação do risco é restrita pelo mercado, a colocação se torna um grande desafio, que apenas os profissionais mais especializados são capazes de viabilizar soluções. Aos reguladores de sinistros, além do maior volume de trabalho, fica o desafio da interpretação da apólice, por exemplo, nos casos de delação premiada e acordo de leniência, cuja utilização vem sendo recorrente nos casos recentes. Se no primeiro caso o seguro claramente prevê exclusão de cobertura para confissão de culpa por parte do segurado, nos casos dos acordos de leniência reside uma maior complexidade na determinação de cobertura.

O mercado de D&O no Brasil claramente evoluiu muito na última década e já se mostra capaz de prover aos seus clientes boas soluções para os diversos riscos que os empresários e executivos brasileiros se deparam nos dias de hoje. Contudo, ainda estamos longe de representantes mais maduros, como os Estados Unidos, Inglaterra e outros países europeus. É importante ter isso bem claro para mantermos nossas mentes abertas para o aprendizado, contribuindo para o contínuo desenvolvimento deste importante mercado no Brasil.

Fonte: Gustavo Galrão / Segs