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Empresas abordam vítimas e fraudam o seguro

20 de março de 2015

Fraude-e1419269286608A polícia de Canoas investiga golpes do seguro DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), com laudos fraudados, uso indevido de carimbos médicos e pessoas sem lesões graves que se utilizaram do seguro. A reportagem da Rádio Gaúcha comprovou que pelo menos 15 empresas no Rio Grande do Sul oferecem benefício de invalidez permanente a acidentados em perfeitas condições, mesmo sem todos os documentos necessários.

As empresas oferecem para ingressar com o pedido de seguro – o que não é necessário – cobrando de 30% a 40% do valor total do benefício do segurado. Eles também se utilizam de informações privilegiadas para abordar vítimas em pronto socorros e muitas vezes, até em locais de acidentes. A reportagem recebeu um folheto na entrada do HPS de Canoas e foi atrás da empresa Indeniza, que tem sede próximo ao hospital.

A equipe afirmou que tinha sofrido um acidente com uma moto em Canoas e explicou para a gerente da assessoria de cobrança que as lesões foram leves e que, inclusive, já estava totalmente recuperada. Foi solicitada uma cobertura sobre invalidez permanente e a gerente destacou que não precisava oferecer qualquer documento, como exame do hospital ou registro na Polícia, garantindo que era possível sim conseguir o benefício. Mesmo não tendo comprovação de que realmente tinha sofrido o acidente de trânsito. A conversa foi gravada.

A funcionária da Indeniza marcou um visita e garantiu que o seguro seria pago. Ela chegou a ressaltar que é sim possível montar processos com pessoas que sofreram lesões leves, classificando estas “vítimas” com lesões mais graves para enquadrar na cobertura de invalidez permanente.

A gerente também ressaltou que este primeiro passo é o processo administrativo junto a seguradora que paga o DPVAT e depois um advogado ainda entra com ação judicial para tentar obter um valor ainda maior. Ela disse que é difícil baixar do valor médio a ser pago, em torno de R$ 1,6 mil, ou seja, quase nunca é pago o valor mínimo de R$ 300. O golpe é tão escancarado, que a gerente da Indeniza ainda avisa que a equipe vai receber ligações de outras agenciadoras e que não aceite a proposta.

Depois de ter garantido que conseguiria o registro de invalidez permanente, mesmo sem nenhuma comprovação de que a vítima estava realmente ferida, a reportagem se identificou e perguntou se a gerente faria este procedimento. Só que desta vez, sabendo que falava com a Rádio Gaúcha, ela negou.
Polícia de Canoas investiga fraudes na solicitação do seguro

Este caso envolvendo apenas uma, das pelo menos 15 agenciadoras gaúchas, é investigado pela Polícia de Canoas, não só pelo fato de ser um serviço desnecessário, mas também porque há indícios de irregularidades maiores. A reportagem acompanhou oito casos em um inquérito instaurado pela 1ª Delegacia do município, onde foi comprovado que alguns segurados receberam o DPVAT por invalidez permanente mesmo tendo lesões leves e seguiram trabalhando normalmente como motoristas, inclusive, e foram flagrados até jogando futebol. Além disso, os atestados foram assinados por uma médica, uma mulher, e os segurados afirmam que foram atendidos por um médico, um homem.

Um jovem auxiliou a polícia na investigação sobre laudos fraudados e a 1ª Delegacia pediu para que o nome dele fosse preservado. Ele recebeu R$ 1,8 mil e pagou 30% do valor total para a Indeniza de Canoas. Se realmente tivesse lesão permanente, poderia ingressar sozinho com os documentos na seguradora e receber em até 30 dias o valor total.

Além disso, após o benefício recebido, a empresa ligou outras vezes para ele na tentativa de auxiliar com ingresso na Justiça para obter indenização ainda maior, lembrando que todos estes valores são pagos pelo contribuinte. A reportagem teve acesso a documentos em que aparecem vítimas com lesões leves assinados por uma médica que sequer atendeu os segurados. O advogado dela conversou com a Gaúcha e disse que a médica teve o nome e carimbo usados ilegalmente pela empresa Indeniza.

Na última sexta-feira, a equipe da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas cumpriu um mandado de busca na Indeniza, perto do HPS da cidade, e apreendeu documentos e CPUs. O material já está sendo analisado e o delegado Rodrigo Zucco informou que há fortes indícios de irregularidades como por exemplo, uso ilegal do nome de uma médica, inclusive carimbo no nome dela, pagamento de seguro para pessoas que não tiveram problemas graves e permanentes, além de pagamento do DPVAT para pessoas que se utilizaram de laudos médicos que foram fraudados.

Todos estão sendo investigados, inclusive os segurados que receberam o benefício, já que muitos tinham lesões médias ou leves e se quer foram atendidos pelos médicos. O responsável pela Indeniza irá depor hoje, por volta de dez horas da manhã na primeira DP de Canoas.
DPVAT pagou 25% mais seguros que no ano anterior

De janeiro a setembro, em todo o Brasil, o DPVAT pagou quase 560 mil indenizações – que podem ser de até R$ 13,5 mil – por meio da seguradora responsável. O número é 25% maior que o mesmo período do ano passado e 77%foram de casos por invalidez permanente.

De acordo com o Sindicato dos Corretores do RS, por ano, a arrecadação do seguro DPVAT no país é de R$ 6 bilhões, sendo 45% destinado ao custeio de acidentados no trânsito pelo SUS e 5% para campanhas para prevenção de acidentes. Pouco mais de R$ 1 bilhão de reais por ano foi pago somente no primeiro semestre deste ano para segurados vítimas de acidentes.

(Fonte: Zero Hora)