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A tecnologia vai aposentar o corretor de seguros?

29 de abril de 2019

Por Rossana Costa, diretora da GEO

O homem sempre buscou formas de controlar seus riscos e minimizar perdas, fazendo com que a profissão do corretor de seguros se tornasse uma das mais antigas registradas, remontando aos chineses três mil anos antes de Cristo e aos antigos babilônios mil anos depois. Desde então, a profissão evoluiu para se tornar uma indústria de trilhões de dólares anuais, mas o conceito se manteve o mesmo. Enquanto uma das partes se compromete a indenizar a outra no caso de prejuízos, em troca ela recebe uma comissão pelo risco tomado.

Nas últimas duas décadas, a indústria de seguros iniciou um processo de transformação digital e passou a impulsionar uma mudança cultural em toda a cadeia, possibilitando um boom de insurtechs no mercado. Somente no Brasil, já existem cerca de 80 destas empresas de tecnologia com propostas voltadas ao setor. Ao passo que muitas se propuseram a beneficiar e atender às necessidades dos corretores, algumas outras buscaram, equivocadamente, eliminá-lo da cadeia, oferecendo serviços de seguros diretamente ao segurado.

A verdade é que hoje o corretor não atua somente como um vendedor de seguros. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Celent, 71% dos consumidores ainda preferem a interação humana na contratação de seguros, em grande parte por que as pessoas, apesar de estarem constantemente conectadas a serviços digitais, cada vez mais demandam o papel da consultoria especializada e de um atendimento humanizado.

Nesse cenário, o corretor não deve enxergar a tecnologia como uma ameaça à sua atividade, e sim como uma oportunidade para se modernizar e otimizar o seu dia a dia. Com o auxílio dela, o profissional pode automatizar processos burocráticos morosos, como a emissão de apólices, reduzindo de dias para minutos o tempo gasto com isto.

Pensando em maior escala, um serviço de banco de dados na nuvem é capaz de servir não apenas para armazenar digitalmente um número cada vez maior de apólices, mas também para lidar com o número maior de informações e dados detalhados de cada operação. Esses dados servem de base para gerar relatórios, observar padrões e identificar tendências, auxiliando o corretor para situações e comportamentos futuros que antes não eram possíveis visualizar e prever. Assim, plataformas como o caso da GEO são capazes de fornecer valiosos insights para a tomada de decisões, além de eliminar a burocracia dos processos do dia a dia.

E esse movimento tecnológico não é pequeno. De acordo com pesquisa global realizada pela consultoria PwC, em 2017, o principal foco de utilização das novas tecnologias em inovação por seguradoras nos 12 meses seguintes seria em análise de dados (84%), além de investimentos em inteligência artificial, segurança da informação e inovações para smartphones.

Com maior agilidade e tempo disponível, essas inovações possibilitam que o corretor consiga atuar de forma mais estratégica, dedicando mais tempo ao relacionamento com o cliente e atuando em posição cada vez mais consultiva. Por exemplo, entender as necessidades e as formas de lidar com seus clientes é totalmente diferente de simplesmente negociar um orçamento.

Mas, para isso, o corretor precisa atuar de forma mais tecnológica, sem se preocupar em desenvolver futuras soluções, e sim para ser capaz de usufruí-las da melhor forma assim que forem oferecidas ao mercado. Por exemplo, os corretores que já incorporaram arquivos digitalizadas ao seu histórico de documentos contarão com maior facilidade no momento de migrar dados para esse tipo de plataforma digital, sem contar a economia de papel no processo e a facilidade de acessar documentos a partir de qualquer local com acesso à internet.

Por sinal, a disponibilidade móvel do corretor é outro fator exigido cada vez mais pelos consumidores, que também se transformaram tecnologicamente. Um levantamento da FGV-SP apontou que há mais de 220 milhões de smartphones ativos no país – mais de um por habitante, e que se tornou um meio importante de interação com as empresas e corretores.

Assim, a tecnologia deve ser incentivada e aprimorada para tornar o trabalho do corretor cada vez mais eficiente, de forma que seja capaz de atender, de forma estratégica, a um número maior de clientes e gerenciar uma quantidade superior de apólices, mesmo quando tratamos de segmentos mais específicos, como o habitacional e de construção civil, em que a tecnologia já está entrando na agenda das construtoras e de seus clientes.

Com a inovação ao seu lado reduzindo o tempo gasto em atividades cotidianas, o corretor fica livre para desenvolver qualidades humanas para o seu trabalho intelectual, como o auxílio e suporte demandados por seus clientes. Afinal de contas, uma relação de confiança é a maior garantia que um corretor pode ter, e ainda não inventaram um aplicativo para isso.